Pular para o conteúdo principal

Com quase 500 artistas no palco, Feira Conexão Social destaca atuação do terceiro setor em Campinas

  Segunda edição do evento reuniu organizações sociais na Lagoa do Taquaral com apresentações culturais, gastronomia, artesanato e ações de convivência A segunda edição da Feira Conexão Social, realizada pela Integra Campinas Associação das Organizações Sociais Filantrópicas de Campinas, aconteceu nos dias 7 e 8 de agosto, na Lagoa do Taquaral, reunindo diferentes iniciativas do terceiro setor. Ao longo da programação, 496 integrantes das organizações participantes subiram ao palco para apresentações de dança, música, coral, capoeira, hip hop, fanfarra, orquestra de flautas e da bateria do bloco carnavalesco Unidos do Candinho. As atrações movimentaram a programação e atraíram o público presente na feira, proporcionando momentos de interação com os participantes. O evento contou ainda com praça de alimentação, bazares beneficentes, feira de artesanato e espaços de convivência. “Algo muito bonito de observar durante a feira foi a participação dos integrantes das instituições, entre ...

Próximo salto da multipropriedade depende menos de vender mais e mais de financiar melhor

 


(*) Por Vinicius Silva, Diretor Comercial da BNP Capital


A multipropriedade brasileira alcançou um estágio de maturidade que poucos imaginavam há pouco mais de uma década. O país consolidou-se como um dos maiores mercados do mundo nesse segmento, impulsionado pelo fortalecimento do turismo doméstico, pela profissionalização das incorporadoras e pela crescente busca dos consumidores por modelos mais inteligentes de acesso às férias. Os números comprovam essa evolução: novos empreendimentos são lançados anualmente, milhares de frações imobiliárias são comercializadas e bilhões de reais movimentam uma cadeia que gera empregos, atrai investimentos e impulsiona o desenvolvimento de destinos turísticos em todas as regiões do país.


Mas todo mercado em expansão chega a um momento em que vender mais deixa de ser o único desafio. A verdadeira questão passa a ser como crescer de forma sustentável.


Na multipropriedade, esse novo desafio está menos na capacidade comercial e muito mais na infraestrutura financeira que sustenta cada venda realizada.


Grande parte das discussões do setor ainda está concentrada em marketing, performance das salas de vendas, experiência do cliente e expansão dos empreendimentos. São temas fundamentais, sem dúvida. No entanto, existe uma camada menos visível que impacta diretamente a rentabilidade das operações: vendas perdidas por falta de crédito do comprador, cancelamentos nos primeiros dias após a aquisição, fluxo de caixa pressionado pelo parcelamento das comissões e dificuldades para manter uma operação financeiramente saudável enquanto o mercado continua crescendo.


São gargalos silenciosos, mas extremamente relevantes.


Quando uma venda deixa de acontecer porque o cliente não dispõe do valor da entrada, perde-se muito mais do que uma negociação. Quando um distrato acontece dias depois da assinatura do contrato, não é apenas a receita que desaparece. Há custos comerciais, operacionais e de relacionamento que dificilmente retornam. E quando incorporadoras precisam financiar todo esse processo com recursos próprios, o crescimento passa a exigir um volume de capital cada vez maior.


É justamente por isso que acredito que o próximo diferencial competitivo da multipropriedade será financeiro.


Essa mudança de perspectiva, que vem ganhando espaço entre incorporadoras, operadores, investidores e especialistas do turismo compartilhado, será um dos temas em discussão durante o Turistrends, congresso que acontece em agosto, em Goiânia (GO), reunindo algumas das principais lideranças do turismo brasileiro para debater os caminhos que irão moldar o futuro do setor. Mais do que apresentar tendências, o momento exige refletir sobre como construir modelos de negócios mais resilientes, rentáveis e preparados para sustentar o crescimento da atividade nos próximos anos.


Assim como a tecnologia transformou a hotelaria, a distribuição e o relacionamento com o consumidor, soluções financeiras especializadas começam a ocupar um papel estratégico na evolução do setor. O conceito de embedded finance, que já revoluciona segmentos como varejo, mobilidade e comércio eletrônico, também chega ao turismo compartilhado ao integrar crédito, financiamento e proteção financeira diretamente à jornada de compra.


Não se trata apenas de facilitar uma transação. Trata-se de reduzir atritos, aumentar a conversão, preservar o fluxo de caixa das empresas e oferecer mais segurança ao consumidor em uma decisão de longo prazo.


Essa transformação também muda a forma como incorporadoras e operadores enxergam seus negócios. O foco deixa de estar exclusivamente na comercialização para incorporar indicadores como eficiência financeira, previsibilidade de receitas, redução de cancelamentos e maior capacidade de reinvestimento. Em outras palavras, vender continua sendo essencial, mas vender com sustentabilidade financeira tornou-se indispensável.


É nesse contexto que surgem fintechs especializadas, desenvolvendo soluções desenhadas especificamente para as características da multipropriedade. Ao oferecer mecanismos capazes de ampliar o acesso ao crédito, reduzir os impactos dos distratos, fortalecer o relacionamento no pós-venda e trazer maior previsibilidade financeira para as operações, essas empresas passam a integrar uma infraestrutura que, até pouco tempo atrás, simplesmente não existia para o setor. Mais do que criar novos produtos financeiros, trata-se de construir mecanismos que tornem a expansão da multipropriedade mais saudável e sustentável para todos os envolvidos, como empreendedores, operadores e consumidores.


Na prática, estamos falando de uma mudança de paradigma. A multipropriedade investiu nos últimos anos em profissionalização comercial, marketing, governança e experiência do cliente. Agora chegou o momento de dar um novo passo: profissionalizar também sua engenharia financeira.


O futuro do turismo compartilhado será construído por empresas capazes de unir inovação, eficiência operacional e inteligência financeira. Quem compreender esse movimento primeiro não apenas venderá mais. Terá operações mais resilientes, maior capacidade de investimento e um crescimento muito mais consistente.


O próximo salto da multipropriedade brasileira não dependerá apenas da abertura de novos empreendimentos. Dependerá da capacidade de construir uma base financeira sólida para sustentar o crescimento de um mercado que ainda tem enorme potencial pela frente. E, ao que tudo indica, essa será uma das discussões mais relevantes para o futuro do turismo compartilhado nos próximos anos.


(*) Vinicius Silva é Diretor Comercial da BNP Capital e um dos palestrantes do Turistrends 2026, que acontece no próximo dia 25 de agosto, em Goiânia (GO)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Porto: Prémio “Estrela do Atlântico” terá terceira edição em 1º de março

 A terceira edição do Prémio Estrela do Atlântico será realizada em 1º de março (domingo), no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, numa cerimónia voltada à comunidade brasileira residente na Europa. A iniciativa tem como objetivo, segundo os seus organizadores, “reconhecer trajetórias de brasileiros estabelecidos no continente”. Segundo apurámos, o evento prevê a entrega de troféus, apresentações musicais e participação do público por meio de votação online, que, segundo os seus responsáveis, já ultrapassou 40 mil votos. Organizado pelo brasileiro Higor Cerqueira, o prémio reúne nesta edição 112 influenciadores digitais de diferentes países europeus, com um alcance somado de mais de 13 milhões de seguidores nas redes sociais. Além deles, 24 empresários integram a lista de nomeados.  As premiações estão divididas em duas classes: Personalidades em destaque e empresas e negócios, com categorias definidas a partir das indicações recebidas. A organização afirma que os ingressos estão ...

Açores: Prefeito de Andrelândia no Brasil quer resgatar ligações históricas com o Faial

 Durante visita a Ponta Delgada, nos Açores, o prefeito de Andrelândia, no estado brasileiro de Minas Gerais, Francisco Reginaldo Nogueira, destacou a importância da ligação histórica e simbólica entre o seu município e o arquipélago português, sublinhando que a visita “integra um processo de aproximação institucional com potencial para gerar novos projetos conjuntos”. Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, no âmbito da missão empresarial da Casa dos Açores de Minas Gerais realizada entre 20 e 24 de abril nos Açores, o prefeito brasileiro destacou o caráter inédito da deslocação e o seu impacto histórico e relacional. “Acho que esta missão é algo inédito não só para a Andrelândia, mas para várias regiões”, afirmou Francisco Reginaldo Nogueira, acrescentando que a iniciativa “vai resgatar não só a questão financeira, mas também histórica”. Este responsável sublinhou a forte ligação identitária entre os dois territórios, recordando a origem açoriana do município mineiro. “Andrel...

Semana do meio ambiente: IA e produção sob demanda ganham espaço na moda para reduzir desperdícios

  Produção sob demanda e inteligência preditiva avançam como alternativas para tornar a indústria mais eficiente, reduzindo perdas e excessos na produção   Crédito: Fernando César Em um momento em que a indústria da moda é cada vez mais pressionada a rever seus impactos ambientais e seus modelos produtivos, ganham destaque empresas que há anos vêm apostando em modelos mais eficientes para enfrentar desafios históricos do setor, como excesso de produção, descarte de peças e ineficiências logísticas.  A combinação entre tecnologia, eficiência operacional e práticas mais sustentáveis tem se consolidado como um caminho para reduzir desperdícios, aumentar a rentabilidade e construir operações mais alinhadas ao consumo real. Nesse contexto, modelos produtivos mais enxutos, com menor dependência de estoque e maior previsibilidade de demanda ganham relevância ao demonstrar que crescimento e responsabilidade podem caminhar juntos.   Antes mesmo de a discussão ganhar protagoni...