O medo nos relacionamentos é uma das dores mais profundas que carregamos, e quem já sentiu o peito apertar diante da ideia de se entregar sabe exatamente do que estou falando. Na ótica da psicanálise, esse medo raramente é sobre o presente ou sobre a pessoa que está do nosso lado hoje. Ele é, quase sempre, o eco de feridas antigas, de defesas que criamos na infância para nos proteger da rejeição, do abandono ou do excesso de controle. Amar exige vulnerabilidade, e para o nosso inconsciente, ser vulnerável é um perigo. Por isso, sem perceber, muitas vezes nos boicotamos: nos afastamos quando o outro se aproxima, arrumamos brigas por motivos banais ou escolhemos parceiros indisponíveis. É a nossa mente tentando nos poupar de uma dor que ela já conheceu lá atrás. O problema é que esse mecanismo de defesa, que um dia serviu para nos proteger, hoje nos isola e nos impede de viver conexões reais e maduras. É exatamente nesse ponto que o meu trabalho e o da terapeuta Angélica entra...
Por que será que ainda conseguimos transformar um sentimento tão puro em algo que simplesmente nos causa dor e sofrimento? E o que é pior, impomos esses mesmos sentimentos sobre aqueles irmãos que se tornaram vítimas desse sentimento opressor e descontrolado em suas vidas? Sempre que o ser humano, estando encarnado ou até mesmo desencarnado, escolhe se perder em um mundo de conquistas e desejos, acaba ferindo e aprisionando, nesses momentos, seu irmão, sem sequer se preocupar se, diante desse sentimento possessivo, o irmão está sendo ferido, perdendo, assim, a capacidade de escolha sobre a própria vida. Jesus, quando veio a caminhar sobre este plano carnal, sempre tentou nos falar de um sentimento libertador, que nos libertaria de nós mesmos. Aqueles irmãos que compartilhassem esse sentimento estariam livres e completamente felizes. Mas o ser humano ainda se posiciona incapaz de conhecer e vivenciar esse sentimento, escolhendo caminhar carregando verdadeiras algemas en...