Do copo ao colapso: o mercado clandestino das bebidas como face lucrativa e visível da desordem social
Dr. Fernando Capano* Não de hoje, bebidas ilegais financiam drogas, armas e violência — e a impunidade de quem as distribui alimenta a engrenagem da criminalidade. Os recentes episódios envolvendo a comercialização de destilados envenenados com metanol expõe, mais uma vez, um problema de graves proporções: o mercado ilícito deste tipo de produto no Brasil. E, não nos enganemos, pois não se trata de fenômeno marginal ou restrito. Em 2023, este setor subterrâneo movimentou R$ 56,9 bilhões, com um crescimento de 224% em relação a 2017. Apenas a sonegação fiscal ligada à atividade chegou a R$ 28,2 bilhões no mesmo ano. Tais números revelam que o tráfico de bebidas falsificadas ou contrabandeadas não é apenas um delito econômico, mas, também, um vetor de esgarçamento social. A produção e a circulação de produtos piratas, embora costumeiramente praticadas sem violência direta, abrem caminho para danos concretos à saúde pública, ao erário e ao tecido comunitário...