Produção sob demanda e inteligência preditiva avançam como alternativas para tornar a indústria mais eficiente, reduzindo perdas e excessos na produção
Crédito: Fernando César
Em um momento em que a indústria da moda é cada vez mais pressionada a rever seus impactos ambientais e seus modelos produtivos, ganham destaque empresas que há anos vêm apostando em modelos mais eficientes para enfrentar desafios históricos do setor, como excesso de produção, descarte de peças e ineficiências logísticas.
A combinação entre tecnologia, eficiência operacional e práticas mais sustentáveis tem se consolidado como um caminho para reduzir desperdícios, aumentar a rentabilidade e construir operações mais alinhadas ao consumo real. Nesse contexto, modelos produtivos mais enxutos, com menor dependência de estoque e maior previsibilidade de demanda ganham relevância ao demonstrar que crescimento e responsabilidade podem caminhar juntos.
Antes mesmo de a discussão ganhar protagonismo na indústria, a LV Store já aplicava esses princípios em sua operação. Leticia Vaz, fundadora da LV Store, se destaca ao aplicar inteligência artificial preditiva em sua fábrica própria.
A tecnologia permite antecipar padrões de comportamento do consumidor e ajustar a produção com mais precisão. A operação é baseada no conceito de Just in Time, com produção sob demanda e ausência de estoques, evitando excessos e minimizando perdas ao longo da cadeia. Com o apoio da IA, é possível prever padrões de consumo, ajustar volumes de produção e tomar decisões mais assertivas, alinhando oferta e demanda de forma mais eficiente.
“O futuro da moda passa por produzir menos, com mais inteligência e responsabilidade”, diz Letícia Vaz. “Sustentabilidade não pode ficar restrita ao discurso ou a campanhas pontuais, ela precisa estar integrada à operação e às decisões de produção.
Com a inteligência artificial, conseguimos entender melhor a demanda, evitar excessos e construir um modelo mais eficiente, consciente e alinhado ao consumo real”, completa.
Esse modelo reforça que é possível unir rentabilidade e responsabilidade ambiental dentro das empresas. Ao operar com uma lógica mais orientada por dados e menor dependência de estoque, a marca reduz desperdícios e torna a cadeia mais eficiente, mostrando como tecnologia e sustentabilidade podem caminhar juntas dentro da indústria da moda. Além disso, a marca conta com um modelo produtivo próprio, sem terceirização, e uma equipe interna de costureiras contratadas em regime CLT, garantindo maior controle de qualidade, valorização da mão de obra e relações de trabalho mais estruturadas.
A fábrica também permite mais controle sobre processos, prazos e volumes de produção, aumentando a previsibilidade operacional. Como parte desse compromisso, a operação possui Certificado de Descarte Ecológico e Certificado de Neutralização de Emissões, reforçando as práticas adotadas para minimizar impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva.
Em um cenário em que a moda busca equilibrar crescimento, eficiência e redução de impactos ambientais, operações mais inteligentes e baseadas em dados começam a reposicionar a tecnologia como parte central da cadeia produtiva, e não apenas da experiência de venda.

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