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Cencosud reforça proposta de valor para os clientes com Nic Sommelier, influenciadora digital especializada em vinhos do Prezunic

  Com Inteligência Artificial, clientes podem esclarecer dúvidas sobre rótulos, variedades de uvas e harmonizações, tendo acesso a uma experiência inovadora e personalizada que os acompanha na escolha do vinho ideal Iniciativa faz parte do projeto Adega Prezunic – Seus momentos começam aqui - Divulgação Setembro de 2026 - Reafirmando seu compromisso com a inovação e o empreendedorismo como pilares estratégicos de seu crescimento, a Cencosud, um dos maiores grupos de varejo da América Latina, lança a sommelier digital Nic, pela bandeira Prezunic. A influenciadora digital da rede de supermercados, além de atender os clientes com informações diversas no ambiente virtual, também passa a atuar como sommelier da bandeira no Rio de Janeiro e em Goiânia.   A iniciativa faz parte do projeto Adega Prezunic – Seus momentos começam aqui e reforça o compromisso da rede em utilizar a tecnologia para transformar a experiência de compras, tornando-a mais prática, personalizada e acessível....

Festival literário brasileiro reuniu em palco Mia Couto, Míriam Leitão e Jamil Chade

Setenta anos depois da sua publicação, a obra Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa, continua a atravessar leitores, territórios e gerações. 

Na noite de sábado, 29 de agosto, o escritor Mia Couto e a jornalista Míriam Leitão reuniram-se no 4º Fliparacatu que decorreu em Minas Gerais, no Brasil, entre 26 e 30 de agosto, para celebrar a permanência da obra de João Guimarães Rosa e refletir sobre a sua força literária e humana. 

Em diálogo com o tema desta edição, “Sertão em Nós: Meu lugar no mundo”, a conversa passou pela “relação entre território e identidade, pela linguagem como forma de compreender o outro e pela travessia como experiência que transforma quem a percorre”.

Mediado por Jamil Chade, o encontro “Grande Sertão: Veredas – 70 anos: A Travessia Continua” também aproximou os dois patronos desta edição: Guimarães Rosa, celebrado pela sua obra, e Milton Santos, cuja reflexão sobre território ajuda a engrandecer as reflexões que o romance ainda provoca.

 Entre a experiência concreta do sertão, a invenção de uma linguagem rosiana e os desafios do mundo contemporâneo, os convidados discutiram como a literatura pode ensinar a olhar para um lugar e, a partir dele, compreender melhor a si mesmo.

A relação de Míriam Leitão com esse sertão passou também pela experiência concreta do território. A jornalista percorreu Serra das Araras, Ribeirão da Areia e o Parque Nacional Grande Sertão: Veredas para produzir uma reportagem para o canal de televisão a cabo brasileiro GloboNews. 

Foi a campo em busca das paisagens, das pessoas e dos caminhos que ajudam a compreender um pouco mais o universo que Guimarães Rosa transformou em literatura.



Para Mia Couto, porém, o encontro com Rosa aconteceu muito antes de chegar ao sertão brasileiro. Leitor da obra do escritor mineiro, o autor moçambicano afirmou que existe, em Grande Sertão: Veredas, uma linguagem que ultrapassa aquilo que é simplesmente dito.

Para compreender a imensidão daquele sertão, seria preciso também aprender a escutar aquilo que a palavra não diz.

Ao longo da conversa, Jamil Chade retomou a trajetória de Guimarães Rosa como diplomata e sua passagem pela Alemanha nos anos que antecederam e atravessaram a Segunda Guerra Mundial. Ao lado da esposa, Aracy de Carvalho, o escritor ajudou judeus perseguidos pelo regime nazista a conseguirem vistos para deixar o país. 

A partir dessa dimensão humana de Rosa, Chade lançou uma pergunta sobre o que sua obra ainda ensina.

Para Míriam, uma das respostas está na escuta. “Ele ouviu o sertão”, afirmou. Poliglota, Guimarães Rosa conhecia diferentes idiomas, mas escolheu também escutar as formas de fala que encontrava no Brasil profundo. Na sua literatura, a linguagem do sertanejo não aparece como algo menor ou periférico. Pelo contrário: torna-se matéria de invenção, pensamento e poesia.

Para o escritor de Moçambique, contar e ouvir histórias é uma das formas mais profundas de compreender o mundo e aqueles que o habitam. Ele contou que procura conversar com pessoas que pensam de maneiras diferentes para tentar compreender de onde vêm as suas visões de mundo. Num tempo em que as fronteiras entre as pessoas parecem se multiplicar, a história pode ser uma forma de aproximação.

Deixar o livro conduzir a história

Míriam Leitão também falou sobre uma ideia que, segundo ela, ainda afasta muitos leitores de Grande Sertão: Veredas : a fama de ser um livro difícil. Para a jornalista, talvez seja preciso abandonar a expectativa de compreender racionalmente cada palavra e permitir que a obra conduza a leitura. É preciso, como aconselhou, “ouvir a música” do livro.

É justamente essa relação com a linguagem que, para Míriam, faz da obra uma experiência de encantamento. Guimarães Rosa olha para a natureza, para o pássaro, para a serra, para os personagens e para o amor com uma atenção que acaba contaminando o leitor.

“Eu quero que mais gente se apaixone, como eu me apaixonei aos 17 anos e nunca mais me desapaixonei. Eu sou uma encantada por João Guimarães Rosa”, afirmou a jornalista.

A travessia continua

A conversa avançou, então, para uma pergunta que aproximou a obra de Rosa dos desafios do presente: qual travessia ainda precisamos fazer? Questionada por Jamil Chade sobre os caminhos necessários para enfrentar a questão social brasileira, Míriam retomou uma das imagens mais marcantes do romance. Para ela, Grande Sertão: Veredas começa num travessão e termina na travessia - e é justamente por isso que ela continua. A jornalista reconheceu não ter uma resposta definitiva sobre o caminho que o Brasil precisa percorrer, mas afirmou acreditar que continuar a travessia talvez seja parte dessa resposta, porque é no meio do caminho que encontramos “o real”.

Mia Couto levou a mesma reflexão para uma escala mais ampla. Ao pensar nos desafios do mundo contemporâneo, defendeu a necessidade de questionar modelos políticos e as estruturas que organizam a vida coletiva e, para o escritor, escolher representantes e participar da vida pública são exercícios de cidadania que exigem responsabilidade. Mas falou também de algo maior: a necessidade de recuperar a paixão pela vida e o respeito pelo mundo que habitamos.

Biólogo de formação, Mia Couto recorreu à própria dimensão da vida para lembrar a sua complexidade e grandiosidade. Entre células, organismos e tudo aquilo que nos conecta ao mundo, a sua reflexão devolveu a conversa a uma ideia que atravessou toda a noite: não somos separados daquilo que nos cerca. Setenta anos depois, Grande Sertão: Veredas talvez continue vivo justamente porque não entrega respostas prontas e, para o trio de autores, o livro segue pedindo escuta, imaginação e disposição para atravessar aquilo que ainda não compreendemos completamente.

Ao final do encontro, Celso Adolfo subiu ao palco com o violão para apresentar canções inspiradas no universo de Guimarães Rosa. Em palco, Jamil Chade também se juntou à apresentação, acompanhando Celso com a flauta transversal e levando a travessia rosiana na mesa para outro território: o da música.



História do Festival

Realizado pela  Associação Cultura Sempre um Papo, liderada por Afonso Borges, o Fliparacatu chegou à sua quarta edição consolidado como um dos principais festivais literários do país. Desde a sua estreia em 2023, o Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu) é visto como um polo de intercâmbio cultural e pensamento crítico no interior mineiro.


Esta nova edição do Fliparacatu teve patrocínio master da Kinross, via Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura local e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.

A curadoria nacional foi assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. As atividades locais foram conduzidas por Daniela Prado, e a curadoria infanto-juvenil ficou a cargo de Rafael Nolli. 

Além dos debates literários e do tradicional Prémio de Redação e de Desenho voltado a estudantes locais, o evento realizou uma exposição ao ar livre com 24 reproduções de obras do pintor Alberto da Veiga Guignard, com a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez.

Com programação gratuita, acessibilidade em Libras e transmissão online pelo YouTube, o festival aconteceu entre os dias 26 e 30 de agosto, de quarta a domingo, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais, Brasil.

Ígor Lopes - Jornalista

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