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O que ler para crescer em 2027? Executivos compartilham suas indicações

  De ecossistemas de parceiros a finanças comportamentais, 15 lideranças indicam leituras que influenciam decisões reais de crescimento e posicionamento   2027 batendo na porta e é o período em que empresas revisam metas, ajustam estratégias e buscam alternativas para iniciar o ano com resultados melhores. Para executivos e empreendedores que precisam tomar decisões sobre crescimento, posicionamento, eficiência operacional ou gestão de equipes, a leitura certa pode antecipar erros e acelerar aprendizados.   Para esta lista, 15 lideranças de empresas com atuação em áreas como tecnologia, inovação, serviços e negócios B2B compartilham quais livros recomendam para quem quer crescer com mais clareza estratégica em 2027. As indicações vão de gestão de parcerias e posicionamento de produto a finanças comportamentais e cultura organizacional, temas recorrentes nas decisões do dia a dia.   10x é mais fácil que 2x Autor do livro “Crescimento Atômico”, em que reúne as seis for...

O comércio agêntico será decidido na camada de pagamento

 *Por Alexandre Caramaschi, cofundador da plataforma Naia e especialista em IA e GEO (Generative Engine Optimization)

A inteligência artificial já consegue pesquisar produtos, comparar opções e recomendar a melhor compra. Agora, ela começa a dar um passo além: comprar.

Em pouco tempo, será comum pedir a um agente de IA que adquira um software, renove uma assinatura ou reponha o estoque de uma empresa. A experiência de compra deixará de passar pelo checkout tradicional. Em vez de preencher formulários e digitar dados do cartão, o usuário apenas definirá o objetivo: "compre até R$ 600 e entregue até sexta-feira". Assim, o agente fará o restante.

Mas existe uma pergunta muito mais importante do que a tecnologia capaz de realizar essa tarefa: quem autorizou essa compra? E é justamente nessa resposta que está o futuro do comércio agêntico.

A maior transformação não acontecerá nos modelos de linguagem nem nas interfaces de IA, mas, sim, na infraestrutura que garante que um agente possa movimentar dinheiro de forma segura, auditável e dentro de limites previamente definidos.

Pesquisar um produto é relativamente simples para uma IA. Pagar por ele envolve responsabilidade financeira, jurídica e operacional. Entre a intenção de compra e a execução existe uma camada de confiança que precisa ser construída.

No comércio tradicional, essa validação acontecia quando uma pessoa clicava em "finalizar compra". No comércio agêntico, ela será substituída por mandatos digitais que definem orçamento, fornecedores autorizados, prazo de validade e regras para cada transação.

É essa infraestrutura que começa a atrair bilhões de dólares em investimentos. Empresas de pagamentos, fintechs e grandes bandeiras disputam quem fornecerá a camada responsável por identidade, autorização, limites de gasto e auditoria das operações realizadas por agentes de IA.

A corrida deixou de ser por quem desenvolve o melhor chatbot e passou a ser por quem controla os trilhos do dinheiro. Esse movimento também muda a forma como as empresas precisam se preparar para vender.

Até agora, bastava ser encontrado por mecanismos de busca e, mais recentemente, aparecer nas respostas de ferramentas como o ChatGPT e Gemini. Porém, no comércio agêntico, isso não será suficiente. As empresas precisarão ser transacionáveis por máquinas.

Isso significa oferecer catálogos estruturados, informações confiáveis, disponibilidade acessível por APIs e políticas comerciais claras para que um agente consiga concluir uma compra sem intervenção humana. Ou seja, é uma evolução do SEO e até mesmo do GEO. Não basta ser recomendado. Será preciso estar preparado para que a transação aconteça automaticamente.

O Brasil entra nessa discussão com uma vantagem competitiva pouco explorada. Infraestruturas como o Pix e a nota fiscal eletrônica criaram uma base digital robusta para pagamentos instantâneos e auditáveis. Poucos mercados possuem um ambiente tão favorável para o desenvolvimento de sistemas capazes de conectar agentes de IA à movimentação financeira de forma segura.

Só que isso não elimina os riscos. Quanto maior a autonomia concedida aos agentes, maior também será a necessidade de governança. As empresas precisarão definir quem pode comprar, quanto pode gastar, quais fornecedores estão autorizados e quais operações exigirão validação humana. Sem essas regras, a IA irá apenas automatizar decisões equivocadas com muito mais velocidade.

A adoção do comércio agêntico pode não acontecer de forma linear. Da mesma forma que ocorreu com a IA generativa, ela pode permanecer restrita a alguns nichos até alcançar um ponto de inflexão e acelerar rapidamente. Quando isso acontecer, as organizações que já tiverem estruturado seus dados, processos e políticas estarão preparadas para vender em um mundo no qual clientes humanos serão representados por agentes autônomos.

O futuro do comércio não será definido apenas por quem desenvolve a melhor inteligência artificial. Será decidido por quem transformar confiança, autorização e governança na nova infraestrutura das transações digitais.



Alexandre Caramaschi é cofundador da Naia e CEO da Brasil GEO. Atuou como ex-CMO da Semantix (Nasdaq). Tem mais de 18 anos em tecnologia, marketing e vendas. e é pioneiro no conceito de Generative Engine Optimization (GEO) e Business-to-Agent (B2A) no Brasil. 

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