Especialista orienta a como identificar manipulações e evitar enganações no período eleitoral
Giovanni La Porta, CEO da vortice.ai (Crédito: Divulgação)
As eleições de 2026 prometem ser as mais digitais da história do Brasil, ao mesmo tempo em que a tecnologia aumenta o acesso à informação, ela também produz novos desafios para os eleitores. Ferramentas de inteligência artificial generativa, capazes de criar imagens, vídeos e áudios extremamente realistas, estão transformando a forma como os conteúdos circulam nas redes sociais.
Com isso, está crescendo a preocupação do uso indevido da tecnologia para disseminar desinformação, manipular narrativas e influenciar a opinião pública por meio de conteúdos falsos.
Segundo Giovanni La Porta, CEO da Vortice.ai, empresa especializada em Inteligência Artificial, a principal mudança dos últimos anos está na velocidade e no custo de produção dessas fraudes digitais.
“Vídeos, imagens e áudios que antes exigiam equipes especializadas, equipamentos caros e muitas horas de trabalho agora podem ser produzidos em poucos minutos. A inteligência artificial reduziu as barreiras para a criação de conteúdos falsos, tornando esse tipo de manipulação mais acessível e mais difícil de identificar”, afirma.
Embora a evolução tecnológica seja impressionante, Giovanni destaca que o principal fator explorado pelos criadores de desinformação continua sendo o comportamento humano.
Segundo ele, pessoas tendem a acreditar com mais facilidade em conteúdos que reforçam opiniões e crenças que já possuem previamente.
“Se uma pessoa já tem uma opinião formada sobre determinado candidato, partido ou tema político, ela naturalmente reduz seus mecanismos de defesa quando encontra um conteúdo que confirma aquilo que ela acredita. Esse fenômeno psicológico faz com que vídeos, áudios e imagens falsas sejam compartilhados sem qualquer verificação”, explica.
O comportamento é conhecido como viés de confirmação e se torna ainda mais perigoso em períodos eleitorais marcados pela polarização e pela circulação intensa de informações.
“Quanto mais emocional for o conteúdo, maior deve ser o cuidado. Se uma publicação gera indignação imediata ou parece confirmar exatamente aquilo que você pensa, o ideal é desconfiar antes de compartilhar”, alerta.
Entenda as principais ameaças criadas pela IA
Entre as tecnologias mais utilizadas para criar conteúdos enganosos, Giovanni destaca quatro categorias principais.
A primeira delas é o face swap, técnica que substitui o rosto de uma pessoa pelo de outra em vídeos já existentes. Nesse tipo de manipulação, uma gravação real é utilizada como base, mas o rosto é trocado digitalmente para criar uma falsa associação.
Já os deepfakes generativos representam um nível mais avançado de sofisticação. Nesse caso, a inteligência artificial cria cenas inteiras do zero, sem depender necessariamente de imagens ou vídeos reais. Pessoas podem ser colocadas em ambientes onde nunca estiveram, realizando ações que jamais aconteceram.
Outra ameaça crescente é a clonagem de voz, com poucos minutos de áudio disponíveis na internet, algoritmos conseguem reproduzir timbres, entonações e padrões de fala com elevado grau de precisão.
Por fim, existem os chamados gêmeos digitais ou digital twins. Essa tecnologia combina imagem, voz, movimentos e comportamento para criar uma réplica virtual completa de uma pessoa.
“A partir de vídeos e gravações reais, é possível construir um modelo digital extremamente fiel. Depois disso, basta inserir um roteiro para gerar novos vídeos contendo frases que aquela pessoa nunca disse. É uma das aplicações mais avançadas e preocupantes da inteligência artificial generativa”, complementa o especialista.
Como identificar vídeos e áudios manipulados?
Mesmo com esse progresso tecnológico, muitas produções falsas ainda apresentam sinais perceptíveis para usuários atentos.
Entre os principais indícios estão:
- Descompasso entre o movimento dos lábios e o áudio;
- Voz excessivamente robotizada ou artificial;
- Pronúncia incomum de palavras e expressões;
- Movimentos faciais pouco naturais;
- Olhares fixos ou piscadas irregulares;
- Mãos, dedos e orelhas com deformações sutis;
- Mudanças estranhas de iluminação ao longo do vídeo;
- Qualidade inconsistente entre rosto e ambiente.
Já em áudios, é importante observar pausas artificiais, mudanças bruscas de entonação e ausência de emoções naturais na fala.
“Hoje os sistemas estão melhores do que nunca, mas ainda deixam rastros. Muitas vezes a diferença está nos detalhes. Quanto mais atenção o usuário dedica à análise do conteúdo, maiores são as chances de identificar uma fraude”, afirma.
Cinco passos para não cair em fake news durante as eleições
Para ajudar os eleitores a navegar com segurança pelo ambiente digital durante o período eleitoral, Giovanni recomenda uma série de práticas simples.
1. Nunca compartilhe na emoção
Conteúdos que provocam choque, revolta ou entusiasmo imediato merecem verificação adicional antes de serem enviados para outras pessoas.
2. Procure a informação em diferentes fontes
Se um vídeo ou áudio realmente for relevante, outros veículos de comunicação e fontes confiáveis provavelmente também estarão tratando do assunto.
3. Verifique a origem do conteúdo
Perfis recém-criados, canais desconhecidos e mensagens encaminhadas sem autoria clara exigem atenção redobrada.
4. Utilize ferramentas de verificação
Existem plataformas especializadas capazes de analisar imagens, vídeos e áudios para identificar sinais de manipulação por inteligência artificial.
5. Denuncie conteúdos fraudulentos
Ao identificar uma possível fake news ou material manipulado, o usuário deve evitar compartilhar, comentar ou ajudar na disseminação da publicação.
Giovanni destaca que a inteligência artificial não deve ser vista como uma inimiga das eleições. Segundo ele, a mesma tecnologia utilizada para criar conteúdos falsos também pode ser empregada para detectá-los.
Ferramentas de análise forense digital, sistemas de autenticação de conteúdo e plataformas de verificação automatizada já vêm sendo desenvolvidos para auxiliar cidadãos, empresas e instituições públicas no combate à desinformação.
“A tecnologia é neutra. O desafio está na forma como ela é utilizada. Quanto mais informação, senso crítico e educação digital a população tiver, menor será o resultado das tentativas de manipulação. Nas eleições de 2026, a melhor defesa do eleitor continuará sendo a combinação entre conhecimento, cautela e verificação dos fatos”, conclui.
Sobre a vortice.ai: A vortice.ai é uma startup brasileira dedicada à pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial, fundada em julho de 2024 como parte da Framework. Especializada em soluções inovadoras como fine-tuning de modelos LLMs e SLMs, tecnologias RAG e ferramentas baseadas em NLP, a vortice.ai combina expertise técnica de alto nível e parcerias estratégicas com líderes globais como a Oracle. Com foco em transformar operações, criar valor estratégico e explorar novos mercados, a empresa se posiciona como pioneira no setor de IA no Brasil, impulsionando a inovação e moldando o futuro da tecnologia. Para mais informações sobre a vortice.ai, clique aqui.

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