Empresa utiliza agentes autônomos para automatizar vendas, monitoramento operacional e análise de performance
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A inteligência artificial e a automação vêm redefinindo a operação de diversas empresas, transformando atividades antes manuais em processos orientados por dados, análise preditiva e tomada de decisão em tempo real. Na Bow-e, empresa do Grupo Bolt especializada em geração distribuída e mercado livre de energia, a tecnologia passou a ocupar um papel central na estrutura operacional da companhia, com aplicações que vão da análise de pipeline comercial ao monitoramento operacional, treinamento de equipes e automação de processos estratégicos.
O movimento ocorre em um momento de forte transformação do mercado de energia. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo global de eletricidade deve crescer cerca de 75% até 2050, pressionando empresas e governos a ampliarem eficiência operacional e capacidade analítica. No Brasil, esse cenário ganha ainda mais relevância com a abertura total do mercado livre de energia prevista para 2028, medida que deve permitir a entrada de aproximadamente 89 milhões de unidades consumidoras no ambiente livre, com potencial de movimentar mais de R$ 250 bilhões.
Segundo Ciro Neto, CEO da empresa, o avanço da IA deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar um diferencial competitivo estrutural em um setor que deve ganhar ainda mais escala nos próximos anos.
“Estamos entrando em um momento em que eficiência operacional, capacidade analítica e velocidade de execução passam a ser determinantes para o crescimento no mercado livre de energia. A inteligência artificial nos permite operar com muito mais agilidade, ampliar escala e tomar decisões mais rápidas em um ambiente cada vez mais complexo”, afirma o executivo.
A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para preparar sua estrutura para a expansão do mercado livre de energia, movimento que deve ampliar significativamente o volume de clientes, dados e operações dentro do setor.
“Nosso desafio era encontrar uma forma de crescer sem necessariamente replicar estruturas tradicionais na mesma proporção. A IA passou a ser um instrumento importante para aumentar produtividade, reduzir tarefas repetitivas e liberar os times para atividades mais estratégicas e analíticas”, diz Neto.
Agentes de IA operando 24 horas por dia
Internamente, a Bow-e desenvolveu uma estrutura própria de agentes de IA responsável por automatizar rotinas operacionais, comerciais e analíticas. Segundo dados internos, o sistema opera continuamente, com agentes autônomos integrados às bases da companhia e conectados às plataformas de CRM, comunicação e gestão de dados.
Entre os principais agentes está o FUP Agent, responsável por processar diariamente cerca de 1.500 oportunidades. O sistema gera relatórios automatizados e envia alertas personalizados diretamente aos canais corporativos.
Na área de operação de receitas (RevOps), o agente executa rotinas automatizadas de acompanhamento de pipeline, análise de leads prioritários e projeções de metas comerciais. Integrado ao Slack em tempo real, o sistema também responde comandos da equipe e auxilia gestores na consolidação de indicadores operacionais.
Já o agente voltado para capacitação de vendas, atua no desenvolvimento técnico das equipes comerciais por meio da análise de conversas, identificação de gargalos em metodologias de vendas e realização de simulações práticas de negociação. O sistema também gera diagnósticos de conversão e distribui conteúdos personalizados de coaching para os colaboradores.
A arquitetura inclui ainda painéis analíticos e agentes de inteligência responsáveis por cruzar dados do funil comercial, rastrear padrões de churn, perdas de negociações e consolidar informações operacionais oriundas de diferentes ferramentas da companhia.
Impacto financeiro e escalabilidade operacional
Além dos ganhos de produtividade, a implementação da estrutura de IA trouxe impactos financeiros diretos para a operação da Bow-e. Segundo a empresa, o sistema deve gerar uma economia consolidada superior a R$ 1,5 milhão por ano em redução de custos e ganho de eficiência.
Outro fator relevante está no ganho de produtividade das lideranças. Com a automatização de processos manuais e consolidação de informações, gestores recuperaram entre três e quatro horas diárias antes dedicadas à atualização de planilhas e acompanhamento operacional.
“Hoje conseguimos transformar o tempo operacional em capacidade estratégica. Os líderes deixaram de gastar horas consolidando dados manualmente e passaram a atuar muito mais próximos das decisões de negócio, análise de mercado e relacionamento com clientes”, afirma o executivo.
Apesar da escala operacional da estrutura, o custo de manutenção dos agentes permanece reduzido, já que operação da “frota” de agentes possui baixo custo marginal, permitindo crescimento da equipe comercial sem expansão proporcional dos custos de gestão.
Na área de operações, a automação também trouxe ganhos relevantes de eficiência. Ferramentas internas passaram a automatizar processos relacionados à leitura de documentos, elaboração de rateios e processamento de informações de distribuidoras como Cemig e CPFL.
Um agente especializado realiza a extração automatizada de dados complexos de PDFs enviados pelas distribuidoras e alimenta um motor de rateio responsável por calcular regras de negócio e sugerir a distribuição de créditos de energia em mais de 165 usinas operacionais da companhia.
Próximos passos
Para os próximos meses, a empresa prevê a ampliação da estrutura com novos agentes voltados para marketing, customer success e compliance.
A estratégia também inclui a criação de uma camada integrada de inteligência de dados, conectando informações de atendimento, vendas, aquisição de clientes e performance comercial em um único ambiente analítico.
“Quanto mais automatizamos tarefas repetitivas, mais conseguimos direcionar os times para inovação, relacionamento com clientes e desenvolvimento de novos produtos”, conclui Neto.
Além dos ganhos de escala e produtividade, a Bow-e destaca que a adoção de IA permitiu criar uma memória institucional estruturada e rastreável, em que análises, decisões e interações ficam registradas para auditoria, aprendizado contínuo e aprimoramento operacional.
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