Nas redes sociais é comum sempre aparecerem pessoas com seus vídeos "bombásticos" (só pra quem grava rs) sobre aliens e teorias da conspiração.
Confesso que quando jovem cheguei a acreditar e até em roda de amigos e amigas falar sobre algumas teorias e sobre vida extraterrestre.
Com o advento do meu autoconhecimento e da análise psicanalítica minha mente superou estas questões e passei a olhar mais para o interno que o lado externo.
E é aí que quero chegar nobre leitor(a).
Ao longo da história, o ser humano sempre olhou para o céu em busca de respostas e, talvez mais honestamente, em busca de sentido. As teorias conspiratórias sobre aliens não surgem apenas da curiosidade científica ou do fascínio pelo desconhecido.
Elas revelam algo mais profundo: um movimento psíquico que merece ser observado com atenção.
Do ponto de vista da psicanálise, essas narrativas podem ser compreendidas como formações simbólicas. Ou seja, não importa apenas se são verdadeiras ou falsas o que realmente importa é o que elas dizem sobre nós.
Quando alguém acredita que governos escondem contatos com extraterrestres ou que seres de outros planetas influenciam a humanidade, estamos diante de uma construção que, muitas vezes, organiza angústias internas. O desconhecido externo passa a representar o desconhecido interno. Aquilo que não conseguimos nomear dentro de nós ganha forma fora.
Existe também um elemento importante relacionado ao desejo de controle.
Vivemos em um mundo caótico, imprevisível e, muitas vezes, injusto. As teorias conspiratórias oferecem uma espécie de “alívio”: elas criam uma narrativa onde tudo faz sentido, onde há uma lógica ainda que oculta por trás do caos.
Na psicanálise, isso pode ser visto como uma tentativa do psiquismo de reduzir a ansiedade diante da incerteza.
Outro ponto interessante é a relação com a autoridade.
Muitas dessas teorias partem da ideia de que “a verdade está sendo escondida”. Isso toca diretamente em experiências subjetivas com figuras de poder: pais, instituições, líderes.
A desconfiança, nesse caso, pode não ser apenas política ou social, mas também emocional , uma repetição de vivências onde o sujeito sentiu que algo lhe foi ocultado ou negado.
Além disso, os aliens, em muitas narrativas, aparecem como seres mais evoluídos, mais inteligentes, quase superiores. Isso nos leva a uma reflexão delicada: até que ponto essas figuras não representam um ideal?
Uma projeção de perfeição, conhecimento absoluto ou até mesmo salvação? Em termos psicanalíticos, podemos pensar nisso como uma forma de idealização uma tentativa de encontrar fora aquilo que sentimos faltar dentro.
Mas há também o outro lado. Em algumas teorias, os extraterrestres são ameaçadores, manipuladores ou invasores. Aqui, o que aparece é o medo do estranho, do diferente, do que não pode ser controlado. É o “outro” que assusta não apenas o alienígena, mas qualquer alteridade que desafie nossa sensação de segurança.
No fundo, falar de aliens é, muitas vezes, uma maneira indireta de falar de nós mesmos. Nossas crenças, nossos medos, nossas fantasias e nossas faltas encontram nessas histórias um espaço de expressão.
Isso não significa ridicularizar ou invalidar quem acredita nessas teorias. Pelo contrário.
A psicanálise nos convida a escutar não apenas o conteúdo da crença, mas o que ela sustenta emocionalmente.
Toda narrativa tem uma função psíquica. E, quando compreendemos essa função, começamos a acessar algo mais profundo do que a simples pergunta: “isso é real?”.
Talvez a pergunta mais interessante seja outra: “o que essa crença revela sobre quem a sustenta?”.
No fim das contas, os aliens podem até existir ou não. Mas, independentemente disso, eles já cumprem um papel importante: nos ajudam a olhar para dentro, ainda que disfarçados de algo que vem de fora.
Claudio Roberto Palermo - Jornalista / Professor de oratória / Radialista / Psicanalista

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