Pular para o conteúdo principal

O medo nos relacionamentos - Por Claudio R.Palermo

O medo nos relacionamentos é uma das dores mais profundas que carregamos, e quem já sentiu o peito apertar diante da ideia de se entregar sabe exatamente do que estou falando.  Na ótica da psicanálise, esse medo raramente é sobre o presente ou sobre a pessoa que está do nosso lado hoje. Ele é, quase sempre, o eco de feridas antigas, de defesas que criamos na infância para nos proteger da rejeição, do abandono ou do excesso de controle. Amar exige vulnerabilidade, e para o nosso inconsciente, ser vulnerável é um perigo.  Por isso, sem perceber, muitas vezes nos boicotamos: nos afastamos quando o outro se aproxima, arrumamos brigas por motivos banais ou escolhemos parceiros indisponíveis. É a nossa mente tentando nos poupar de uma dor que ela já conheceu lá atrás. O problema é que esse mecanismo de defesa, que um dia serviu para nos proteger, hoje nos isola e nos impede de viver conexões reais e maduras. É exatamente nesse ponto que o meu trabalho e o da terapeuta Angélica entra...

IA autônoma desafia o controle humano em um mundo em que as máquinas decidem

 NTT DATA promove o debate sobre o equilíbrio entre autonomia tecnológica e supervisão humana, e como isso impacta a sociedade

Créditos: Divulgação

Maio de 2026 — Os novos modelos de inteligência artificial são cada vez mais poderosos e capazes de atuar com autonomia em diversas funções nas organizações. Mas somente as empresas que souberem redesenhar seus modelos aliando a autonomia da IA com governança humana serão capazes de transformar profundamente seus modelos de negócio e poderão deixar de competir para liderar em seus setores nos próximos anos. Essa foi a principal conclusão de um evento realizado pela NTT DATA no dia 5 de maio, que teve como tema “Autonomia orquestrada por humanos”.
 

O evento, que contou com apresentações de Bruno Magalhães, head de Business Process Services (BPS) da NTT DATA, e Daniela Griecco, head de Data & Analytics da NTT DATA, debateu como a tecnologia está entrando em uma nova fase, talvez a mais transformadora desde a primeira Revolução Industrial: a evolução da automatização para a autonomia, com sistemas inteligentes que, além de executar tarefas, analisam grandes volumes de informação, aprendem com os dados e tomam decisões em tempo real.
 

Essa evolução redefine o papel das pessoas, que deixam de dedicar tempo a tarefas operacionais e passam a focar funções mais estratégicas: interpretar, validar, decidir e estabelecer os critérios sob os quais os sistemas atuam. O futuro não será dominado por máquinas autônomas, mas por sistemas inteligentes operandos sob supervisão humana. O desafio passa do “fazer” para “dirigir como se faz”. Daniela Griecco observa que “todo processo de evolução humana partiu de evolução tecnológica, e estamos vivendo mais um desses momentos”.
 

A mudança é visível em diferentes setores. No financeiro, por exemplo, algoritmos analisam milhares de variáveis e sugerem decisões de crédito em segundos. Na indústria, sistemas autônomos ajustam processos produtivos e antecipam falhas antes que ocorram. Em telecomunicações, as redes se auto otimizam de forma dinâmica para evitar congestionamentos e melhorar a experiência do usuário.
 

Nesse contexto, um dos temas mais relevantes é o debate sobre a necessidade de gerar confiança. Para que essas tecnologias possam ser adotadas de forma sustentável, as decisões devem ser compreensíveis, rastreáveis e alinhadas a regras claras; caso contrário, surgem riscos como decisões difíceis de explicar, possíveis vieses ou desconfiança por parte de clientes e usuários.
 

“O papel do C-level e das equipes vai mudar, e haverá uma ressignificação das carreiras para ter capacidade de operar nesse sistema autônomo. As operações serão cada vez mais independentes e modulares”, diz Daniela.
 

É fundamental adotar um arcabouço adequado de controle que vá além do aspecto tecnológico: governar a autonomia implica definir, desde o desenho dos sistemas, quais decisões podem ser tomadas, em que condições e quando deve haver intervenção humana, além de estabelecer mecanismos de acompanhamento que permitam entender o que ocorreu em cada caso e por quê.
 

“Em cinco anos, a diferença entre uma empresa que lidera o mercado e uma que apenas sobrevive não estará em sua estratégia de produto, nem em sua capacidade comercial, mas em sua autonomia de operação”, afirma Bruno Magalhães. “As tecnologias que marcarão o futuro, como robótica, blockchain, digital twin e edge computing, já estão aqui, não precisamos inventá-las. Se as companhias seguirem o modelo de hoje, não serão mais competitivas. Hoje, elas têm a mentalidade de melhorar, quando precisam adotar a mentalidade da transformação. O grande ponto é pensar em transformar e repensar como tudo isso opera colocando o ser humano como peça central.”



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Porto: Prémio “Estrela do Atlântico” terá terceira edição em 1º de março

 A terceira edição do Prémio Estrela do Atlântico será realizada em 1º de março (domingo), no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, numa cerimónia voltada à comunidade brasileira residente na Europa. A iniciativa tem como objetivo, segundo os seus organizadores, “reconhecer trajetórias de brasileiros estabelecidos no continente”. Segundo apurámos, o evento prevê a entrega de troféus, apresentações musicais e participação do público por meio de votação online, que, segundo os seus responsáveis, já ultrapassou 40 mil votos. Organizado pelo brasileiro Higor Cerqueira, o prémio reúne nesta edição 112 influenciadores digitais de diferentes países europeus, com um alcance somado de mais de 13 milhões de seguidores nas redes sociais. Além deles, 24 empresários integram a lista de nomeados.  As premiações estão divididas em duas classes: Personalidades em destaque e empresas e negócios, com categorias definidas a partir das indicações recebidas. A organização afirma que os ingressos estão ...

Açores: Prefeito de Andrelândia no Brasil quer resgatar ligações históricas com o Faial

 Durante visita a Ponta Delgada, nos Açores, o prefeito de Andrelândia, no estado brasileiro de Minas Gerais, Francisco Reginaldo Nogueira, destacou a importância da ligação histórica e simbólica entre o seu município e o arquipélago português, sublinhando que a visita “integra um processo de aproximação institucional com potencial para gerar novos projetos conjuntos”. Em entrevista exclusiva à nossa reportagem, no âmbito da missão empresarial da Casa dos Açores de Minas Gerais realizada entre 20 e 24 de abril nos Açores, o prefeito brasileiro destacou o caráter inédito da deslocação e o seu impacto histórico e relacional. “Acho que esta missão é algo inédito não só para a Andrelândia, mas para várias regiões”, afirmou Francisco Reginaldo Nogueira, acrescentando que a iniciativa “vai resgatar não só a questão financeira, mas também histórica”. Este responsável sublinhou a forte ligação identitária entre os dois territórios, recordando a origem açoriana do município mineiro. “Andrel...

Semana do meio ambiente: IA e produção sob demanda ganham espaço na moda para reduzir desperdícios

  Produção sob demanda e inteligência preditiva avançam como alternativas para tornar a indústria mais eficiente, reduzindo perdas e excessos na produção   Crédito: Fernando César Em um momento em que a indústria da moda é cada vez mais pressionada a rever seus impactos ambientais e seus modelos produtivos, ganham destaque empresas que há anos vêm apostando em modelos mais eficientes para enfrentar desafios históricos do setor, como excesso de produção, descarte de peças e ineficiências logísticas.  A combinação entre tecnologia, eficiência operacional e práticas mais sustentáveis tem se consolidado como um caminho para reduzir desperdícios, aumentar a rentabilidade e construir operações mais alinhadas ao consumo real. Nesse contexto, modelos produtivos mais enxutos, com menor dependência de estoque e maior previsibilidade de demanda ganham relevância ao demonstrar que crescimento e responsabilidade podem caminhar juntos.   Antes mesmo de a discussão ganhar protagoni...