Estudo propõe uso estruturado de inteligência artificial na educação pública e aponta caminhos para melhorar aprendizagem
Caderno de Políticas Públicas 2026 defende integração de tecnologia ao ensino com foco em resultados e redução de desigualdades
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O Brasil convive com um paradoxo digital na educação. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 65% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos já utilizam ferramentas de inteligência artificial para estudar, buscar informações ou criar conteúdo. Ao mesmo tempo, apenas 37% desses jovens conseguem acessar a internet para atividades pedagógicas dentro das próprias escolas, índice que recuou de 51% em 2024, aprofundando a desigualdade entre o que os alunos já fazem em casa e o que as instituições de ensino conseguem oferecer.
É nesse cenário que ganha relevância o Caderno de Políticas Públicas 2026, elaborado pelo Livres, que defende o uso estruturado de inteligência artificial na educação pública como caminho para ampliar a qualidade do ensino e melhorar o desempenho dos alunos. O estudo propõe a criação de uma diretriz nacional para o uso pedagógico da IA, com orientação para escolas, redes de ensino e professores, desde o apoio à personalização do aprendizado até o uso de dados para acompanhamento de desempenho e identificação precoce de defasagens.
Segundo o material, a incorporação de tecnologia na educação ainda ocorre de forma desigual e, em muitos casos, sem integração com a estratégia pedagógica, o que limita seu impacto na aprendizagem. A falta de infraestrutura adequada nas escolas, dispositivos insuficientes, conexões instáveis e ausência de formação docente, é um dos principais fatores que impedem que a tecnologia cumpra seu papel transformador.
"O desafio não é apenas incorporar novas ferramentas, mas garantir que elas estejam a serviço do aprendizado. Os dados mostram que a geração atual já usa IA para estudar, o problema é que a escola ainda não conseguiu acompanhá-la. Isso exige diretrizes claras, formação de professores, equipamentos adequados e conectividade real nas escolas", afirma Magno Karl, diretor-executivo de Livres.
O cenário é agravado pela exclusão digital fora dos muros escolares. Dados do IBGE apontam que 89,1% da população brasileira com 10 anos ou mais está conectada à internet, o maior índice já registrado. No entanto, especialistas alertam que "estar online" e "ser digitalmente incluído" são realidades distintas. A conexão precisa ser regular, rápida e estável o suficiente para suportar tarefas educacionais. Sem isso, a inclusão digital permanece superficial.
Além do uso de inteligência artificial, o Caderno propõe um conjunto mais amplo de medidas para modernizar o ensino, incluindo formação continuada de professores, ampliação de modelos de gestão escolar baseados em resultados e diversificação de trajetórias educacionais. A proposta também prevê a criação de um banco nacional de boas práticas em gestão escolar, com o objetivo de difundir experiências que já demonstraram impacto positivo em diferentes regiões do país.
A publicação integra um conjunto mais amplo de propostas organizadas sob a premissa de que, mesmo diante de desafios estruturais, o Brasil pode avançar com políticas públicas mais eficazes, desde que haja foco na implementação, coordenação e uso de dados na formulação e execução das políticas educacionais.
Sobre o Caderno de Políticas Públicas
O Caderno de Políticas Públicas 2026 reúne mais de 170 propostas para os âmbitos federal e estadual, com foco em segurança, economia, educação e modernização do Estado. Elaborado com apoio de especialistas e lideranças, o material busca subsidiar gestores públicos com soluções viáveis e orientadas a resultados.
Sobre o Livres
O Livres é uma organização civil que promove soluções liberais para o Brasil, atuando em três eixos: qucuradoria de políticas públicas, qualificação de lideranças e participação no debate público.

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