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Especialista, Dr. Raphael Boesche Guimarães, explica por que esperar os sintomas passarem pode comprometer o tratamento e aumentar o risco de complicações
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil e, dentro desse cenário, o Infarto Agudo do Miocárdio lidera os óbitos. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Ministério da Saúde apontam que o país registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. A estimativa é que, a cada 5 a 7 casos, ocorra um óbito, reforçando a gravidade do quadro e a importância do atendimento rápido.
Apesar disso, o maior desafio no tratamento ainda começa antes da chegada ao hospital: a demora na decisão de buscar ajuda.
“O maior atraso no tratamento do infarto não está no hospital, mas na decisão do paciente de procurar atendimento. Muitas pessoas ainda esperam a dor passar ou tentam interpretar os sintomas, e isso pode comprometer completamente o desfecho”, explica o cardiologista Dr. Raphael Boesche Guimarães.
Segundo o especialista, um dos erros mais comuns é subestimar os sinais iniciais. “É muito frequente o paciente sentir um desconforto no peito e achar que não é nada grave. Só que, no infarto, cada minuto conta. Esse tempo de espera pode significar maior dano ao coração”, alerta.
Outro comportamento recorrente é a confusão dos sintomas com outras condições. “Nem sempre o infarto se apresenta como uma dor intensa. Muitas vezes é uma pressão, um mal-estar, e as pessoas associam isso à ansiedade, estresse ou até problemas gástricos. Isso atrasa ainda mais a busca por atendimento”, afirma.
A automedicação também é um fator de risco nesse contexto. “Quando o paciente tenta resolver sozinho, tomando medicamentos, ele pode mascarar os sintomas e adiar a ida ao hospital. Esse atraso pode ser decisivo”, diz o médico.
De acordo com o especialista, o tempo de resposta é determinante para salvar vidas. “Existe um conceito muito importante na cardiologia: tempo é músculo. Quanto mais rápido o paciente recebe atendimento, maiores são as chances de preservar o coração e evitar complicações graves”, explica.
Ele reforça que os sinais de alerta podem variar. “Os sintomas incluem dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para braço, costas, mandíbula ou pescoço, além de falta de ar, suor frio, náusea e tontura. Em mulheres, idosos e diabéticos, esses sinais podem ser mais sutis, o que exige ainda mais atenção.”
Diante de qualquer suspeita, a orientação é clara: agir rapidamente. “O atendimento de urgência, nos primeiros minutos, é fundamental para salvar uma vida. Na dúvida, o paciente deve procurar ajuda imediatamente e não esperar os sintomas passarem”, finaliza Dr. Raphael Boesche Guimarães.

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