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Estratégia inteligente para quem valoriza o dinheiro!

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Dia Mundial da Água: o Cerrado está perdendo suas águas, alertam entidades ambientais

Campanha Cerrado Coração das Águas promove ação no dia 22 de março para debater a importância do bioma para o Distrito Federal e o país


Brasília, 20 de março de 2026 - Brasília vai sediar uma mobilização no Dia Mundial da Água, 22 de março, para discutir a situação das águas do Cerrado. A atividade é parte da campanha Cerrado Coração das Águas e reúne organizações socioambientais e apoiadores no Eixão do Lazer, altura da 204 Norte, às 10h30, para uma roda de conversa sobre o papel do bioma no abastecimento hídrico do país.  Após esse momento, haverá oficina de colagem de lambes para toda a família.

O papel do Cerrado no provimento de água, a priorização de áreas a serem protegidas e restauradas e o caso local da Serrinha do Paranoá serão temas da roda de conversa. Estarão presentes a professora doutora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília (UnB), o pesquisador Yuri Salmona, do Instituto Cerrados, e a ecóloga Isabel Figueiredo, coordenadora do Programa Cerrado no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).

Estudo conduzido por Salmona, na UnB, analisou o comportamento de 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução da vazão de 88% delas, contração associada principalmente a mudanças no uso da terra e ao desmatamento. A pesquisa apresenta a previsão de perda de 35% das reservas de água do Cerrado até 2050. “Precisamos frear a expansão da produção de commodities agropecuárias para exportação, as quais dependem de irrigação intensiva e pressionam o nosso bem comum", alerta o especialista. Segundo o MapBiomas, mais de 50% da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada. 


Foto: Iara Barreto


Entre as bacias analisadas, a do São Francisco é a que mais perdeu disponibilidade hídrica. A vazão mínima de segurança (Q90) caiu pela metade, de 823 m³/s para 414 m³/s. Segundo a Ambiental, agência de jornalismo baseado em ciência e dados, seria o equivalente a esvaziar 30 piscinas olímpicas de água por minuto desde a  década de 1970. A substituição da vegetação nativa por monocultura e pastagens está entre os principais fatores associados à redução da vazão dos rios. 

A expansão agrícola aumenta diretamente a pressão sobre os recursos hídricos: em 2024, 58,6% da água consumida no país é destinada à irrigação da agricultura e à pecuária, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA). 

Escassez, contaminação e impactos nas comunidades tradicionais

Além da redução da disponibilidade hídrica, o modelo agropecuário vigente traz o agravante da contaminação por pesticidas. No ano anterior, o Brasil registrou 914 novos agrotóxicos, um aumento de 38% em relação a 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No Cerrado,  cerca de  600 milhões de litros de agrotóxicos são utilizados anualmente, sendo 63% desse total destinados às lavouras de soja, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em 2025, o Brasil bateu recorde de intoxicação por agrotóxico, segundo levantamento da Repórter Brasil que identificou 9.729 casos com base em dados do Ministério da Saúde. 

O avanço da fronteira agrícola afeta de forma direta povos e comunidades tradicionais do Cerrado. A exposição a essas substâncias têm sido associada a problemas de saúde relatados por moradores rurais.

Elizete Barreto, representante da comunidade de Fundo e Fecho de Pasto em Correntina, no oeste da Bahia, manifesta preocupação com a morte de nascentes na região. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, a comunidade perdeu 97% de sua extensão para a grilagem e empresas do agronegócio, e 60 nascentes já morreram”, afirma. Além do desaparecimento das nascentes, verifica-se também a redução do nível da água do lençol freático. 

“A água é o sangue da terra. Assim como a gente precisa do sangue para viver, a água é o que faz brotar a vida no Cerrado. Cada árvore que é derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que acaba secando também. Pensamos nas vidas que dependem daquela nascente, em toda fauna e flora que deixam de existir porque perdem sua fonte de água”, completa Elizete. 

Para Isabel Figueiredo, do ISPN, reconhecer e proteger territórios dessas comunidades é fundamental para a conservação do bioma. Povos e comunidades tradicionais estão presentes em 2.600 comunidades, distribuídas em 480 municípios, e desempenham papel central na proteção das águas e da biodiversidade. “Sob uma perspectiva que valoriza a soberania nacional, reconhecer os territórios dos povos e das comunidades tradicionais do Cerrado é um passo estratégico para conservar a biodiversidade do bioma para a segurança hídrica e climática do país”, destaca.




A situação da Serrinha do Paranoá

A campanha também chama atenção para a situação da Serrinha do Paranoá, em Brasília (DF). Um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal prevê a transferência de 716 hectares, com valor estimado de R$ 2,3 bilhões, ao Banco de Brasília (BRB) no plano de “Socorro ao BRB”, como parte de um mecanismo de recapitalização da instituição.

A região integra a Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central e abriga 119 nascentes, além de áreas de Cerrado bem conservadas. Organizações socioambientais alertam que a possibilidade de futuros empreendimentos no local pode comprometer a segurança hídrica da região do Lago Paranoá.

Sobre a campanha

A campanha Cerrado Coração das Águas reúne ISPN, Instituto Cerrados, Rede Cerrado, Funatura, IPAM, IIEB, WWF-Brasil com uma proposta de comunicar a importância do bioma de uma nova forma: o Cerrado é apresentado como um coração que pulsa e bombeia água para grande parte do território brasileiro, reforçando seu papel no equilíbrio hídrico nacional. Mais informações no site: https://cerrado.org.br/ 

A ação no Eixão do Lazer conta com o apoio do Choro no Eixo.


Serviço
Roda de conversa  sobre águas do Cerrado

Data: Domingo, 22 de março (Dia Mundial da Água)

Local: Choro no Eixo - Eixão do Lazer, altura da 204 Norte, Brasília (DF)

Horário: 10h30 às 12h

Oficina de lambe lambe Cerrado, Coração das Águas

Mesmo local da Roda de conversa, das às 12h30 às 13h30


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