O medo nos relacionamentos é uma das dores mais profundas que carregamos, e quem já sentiu o peito apertar diante da ideia de se entregar sabe exatamente do que estou falando. Na ótica da psicanálise, esse medo raramente é sobre o presente ou sobre a pessoa que está do nosso lado hoje. Ele é, quase sempre, o eco de feridas antigas, de defesas que criamos na infância para nos proteger da rejeição, do abandono ou do excesso de controle. Amar exige vulnerabilidade, e para o nosso inconsciente, ser vulnerável é um perigo. Por isso, sem perceber, muitas vezes nos boicotamos: nos afastamos quando o outro se aproxima, arrumamos brigas por motivos banais ou escolhemos parceiros indisponíveis. É a nossa mente tentando nos poupar de uma dor que ela já conheceu lá atrás. O problema é que esse mecanismo de defesa, que um dia serviu para nos proteger, hoje nos isola e nos impede de viver conexões reais e maduras. É exatamente nesse ponto que o meu trabalho e o da terapeuta Angélica entra...
CRIOLA, organização de mulheres negras, em parceria com Geledés e SOS Corpo, assinaram Acordo de Cooperação Técnica com o Tribunal de Contas da União (TCU) para promoção de ações voltadas para igualdade de gênero que ampliem a efetividade da participação social nas fiscalizações realizadas pelo órgão.
Para Maiah Lunas, diretora executiva de CRIOLA, o acordo representa um passo fundamental para a abertura do diálogo com a sociedade civil, com foco na superação das desigualdades de gênero e étnico-raciais no Brasil. “Como organização de mulheres negras que atua há mais de três décadas no enfrentamento ao racismo patriarcal cis-heteronormativo, entendemos que aproximar o conhecimento produzido nos territórios dos instrumentos institucionais de fiscalização do Estado é fundamental para garantir que as políticas e os recursos públicos cheguem, de fato, às populações historicamente mais vulnerabilizadas”, comenta.
O acordo surge a partir da adesão do TCU ao “Selo de Igualdade de Gênero para Instituições Públicas”, uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da qual o Tribunal passou a fazer parte em 2024. O selo visa incentivar a adoção de práticas institucionais que promovam a equidade de gênero, e a parceria com as organizações da sociedade civil fortalece esse compromisso.
Sobre CRIOLA
CRIOLA é uma organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras. Atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cis-heteronormativo, contribuindo com a instrumentalização de meninas e mulheres negras, cis e trans, para a garantia dos direitos, da democracia, da justiça e pelo Bem Viver.
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