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Ter cidadania europeia pode facilitar negócios nos EUA? Especialista explica relação com visto americano de investidor

 Ter uma segunda cidadania deixou de ser apenas um benefício ligado à mobilidade internacional e passou a integrar o planejamento estratégico de empresários e investidores brasileiros interessados em expandir suas operações para fora do país. Nesse contexto, a cidadania europeia, com destaque para a italiana, tem ganhado destaque por abrir caminhos legais que podem facilitar o acesso ao mercado norte-americano, especialmente por meio do visto de investidor.

 

De acordo com Caroline Azevedo, advogada de imigração da Visa Finder, a cidadania europeia não garante automaticamente a aprovação de um visto americano, mas amplia significativamente as possibilidades jurídicas disponíveis. Isso ocorre porque cidadãos de países europeus que possuem tratado de comércio com os Estados Unidos podem se qualificar para modalidades específicas de visto, como o E-2 (visto de investidor por tratado), que não está disponível para brasileiros que possuem apenas a cidadania brasileira.

 

“O visto E-2 permite que o investidor more legalmente nos Estados Unidos enquanto desenvolve e administra um negócio no país. Ele exige investimento real e ativo, mas não impõe um valor mínimo fixo, o que o torna mais acessível do que outras modalidades”, explica a advogada. Segundo ela, a cidadania italiana funciona como uma ponte legal, já que a Itália mantém tratado comercial com os EUA, diferentemente do Brasil.

 

O interesse crescente por esse tipo de estratégia jurídica acompanha o aumento da procura da cidadania italiana entre brasileiros. Estima-se que 69 mil reconhecimentos foram concedidos apenas em 2024, de acordo com o instituto italiano Istat. Além disso, projeções da

 

Embaixada da Itália indicam que cerca de 30 milhões de brasileiros, o equivalente a 15% da população, têm direito ao reconhecimento da cidadania, o que ajuda a explicar por que o tema deixou de ser apenas migratório e passou a integrar estratégias de carreira, negócios e internacionalização.

 

A advogada destaca ainda que o interesse por esse tipo de estrutura cresceu nos últimos anos, impulsionado por fatores como instabilidade econômica, busca por diversificação patrimonial e internacionalização de empresas brasileiras. “Muitos empresários não estão apenas pensando em morar fora, mas em proteger seus negócios, ampliar mercados e criar alternativas de longo prazo”, afirma.

 

Apesar das vantagens, Caroline ressalta que o visto de investidor não é automático e exige planejamento. “Cada caso precisa ser analisado de forma individual, considerando tipo de negócio, origem dos recursos e objetivos do investidor. A cidadania italiana amplia o leque de opções, mas o sucesso depende de uma estratégia jurídica bem estruturada”, conclui.

 

Sobre Caroline Azevedo

Advogada especializada em imigração e mobilidade internacional, atua como representante da Visa Finder, auxiliando pessoas e empresas nos processos de solicitação de vistos, regularização migratória e planejamento internacional. Possui experiência na análise estratégica de perfis, prevenção de negativas e orientação jurídica em entrevistas consulares. Seu trabalho é pautado na clareza, segurança jurídica e atendimento personalizado, oferecendo soluções eficazes para quem busca estudar, trabalhar, investir ou residir no exterior.




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