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Fhoresp reforça apelo a autoridades sobre contaminação de bebidas; entidade já havia alertado sobre 36% de fraude no volume distribuído

 Casos recentes de pessoas que teriam consumido produtos adulterados com metanol colocam problema em evidência; até o momento, três mortes foram confirmadas no estado de São Paulo

 
A Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) reforçou em suas plataformas oficiais o alerta sobre a urgência de as autoridades combaterem a falsificação de bebidas no Brasil. O consumo de produtos adulterados, como indicam investigações recentes, causaram, nos últimos dias, um sem-número de internações por intoxicação e, ao menos, três mortes - a terceira foi confirmada nesta segunda-feira (29/8), em São Bernardo do Campo-SP. Em abril deste ano, a entidade já havia chamado a atenção para o problema. Pesquisa da Federação apontava, na época, que, 36% de bebidas comercializadas no Brasil eram forjadas, adulteradas ou contrabandeadas. A prática criminosa, que antes deixava somente rastro de sonegação fiscal, agora atenta contra a saúde da população.
 
Para a Fhoresp, que representa legitimamente 500 mil empresas paulistas, entre hotéis, bares, restaurantes, lanchonetes e padarias, e mais de 20 sindicatos patronais, é preciso que as autoridades coloquem em prática ação articulada que desmantele o esquema (lucrativo) das falsificações.
 
O diretor-executivo da entidade, Edson Pinto, reforça que os consumidores e os empresários são as principais vítimas dos golpistas:
 
“A Federação está acompanhando com muita atenção os casos de intoxicação, possivelmente por metanol, divulgados pela mídia, nos últimos dias. Importante salientar, entretanto, que, a grande maioria dos negócios do ramo de bares e de restaurantes age de forma correta e também se torna vítima ao receber produtos adulterados de fornecedores. De outro lado, há quem compactue com ilegalidades. Há seis meses, já havíamos alertado o mercado sobre a prática, por meio de um levantamento que nos apresentou porcentagens assustadoras de fraude. Se as autoridades não agirem firmemente, este esquema, que agora está colocando também vidas em risco, não chega ao fim nunca”, lamenta.
 
Edson Pinto se refere ao estudo do Núcleo de Pesquisa e Estatística da Fhoresp, divulgado em abril de 2025, que apurou que, 36% das bebidas comercializadas no Brasil eram fraudadas, falsificadas ou contrabandeadas.
 
De acordo com o relatório, os produtos mais afetados com a prática criminosa são vinhos e destilados. A pesquisa trouxe ainda outro alerta importante: uma a cada cinco garrafas de vodca vendidas no País é falsificada.
 
Na opinião do diretor-executivo da Federação, os números demonstram que “há um grande esquema de adulteração em larga escala em território nacional”. E, se antes a preocupação era apenas com as fraudes tributárias, “agora, o risco à saúde é o mais alarmante.”
 
Morte e cegueira
Nas últimas horas, o estado de São Paulo registrou três mortes por intoxicação por metanol, após a ingestão de bebidas alcóolicas adulteradas, uma na capital paulista e duas em São Bernardo do Campo - sendo que a segunda vítima fatal da cidade do Grande ABC foi confirmada nesta segunda-feira.
 
Outros casos de pessoas internadas com suspeita de intoxicação estão sob investigação. Entre as ocorrências, há o registro de cegueira e até coma.
 
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas-SP confirmou a presença de metanol em amostras de bebidas analisadas. O componente é um tipo de álcool altamente tóxico. Uma única dose pode resultar em visão turva, dor abdominal, tontura, náusea e convulsão.
 
Segundo especialistas, o metanol pode, ainda, provocar danos irreversíveis ao cérebro, ao fígado e ao nervo óptico e, em casos graves, levar à morte.
 
“Pessoas estão sofrendo com sequelas gravíssimas. É preciso que o Estado e demais órgãos de fiscalização tenha um controle maior sobre a distribuição das bebidas, a fim de assegurar aos consumidores e aos estabelecimentos a procedência dos produtos”, cobra Edson Pinto.



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