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Mulheres que comunicam: quando falar também é um ato político

 Por Karoline Kantovick

Durante muito tempo, o espaço da fala foi negado às mulheres. 


Quando falavam demais, eram vistas como inconvenientes. Quando falavam pouco,

como frágeis. Quando falavam com firmeza, como arrogantes. A comunicação

feminina sempre foi atravessada por um paradoxo: é preciso ser ouvida sem

parecer “intensa demais”.


Eu cresci observando esse silêncio aprendido. Vinda de uma família simples,

aprendi que “ser educada” era muitas vezes o mesmo que “falar baixo”. Mas foi

justamente quando descobri o poder da palavra e o poder de contar histórias

que entendi o quanto a comunicação podia ser uma ferramenta de libertação.

Falar é existir. Ser ouvida é resistir.


A comunicação como território de disputa.


A comunicação não é neutra. Como nos lembra a teórica bell hooks, a

linguagem é também um espaço de poder — ela pode oprimir, mas também

pode libertar. 


Quando as mulheres ocupam o microfone, o texto, o post, a

câmera, elas não apenas se expressam: elas reescrevem o mundo a partir de

outro ponto de vista.


Na assessoria de imprensa, esse poder ganha ainda mais sentido. Não se trata

apenas de “emplacar matérias”, mas de reposicionar discursos. Quando uma

mulher comunica com consciência de gênero, ela transforma o modo como as

narrativas circulam. Ela pergunta: quem está sendo ouvido? Quem está sendo

silenciado? Que vozes merecem ganhar luz?


Empreender comunicando e comunicar empreendendo


Hoje, lidero uma assessoria de imprensa que nasceu do desejo de mudar essa

lógica. Acredito que cada cliente, cada história e cada conquista é também um

pedaço de representatividade. Quando uma mulher empreendedora vê seu

nome em uma matéria, não é apenas visibilidade — é validação simbólica de

que ela pertence àquele espaço de poder.


Mas ainda é preciso insistir: o mercado segue testando o tempo e o fôlego das

mulheres. Quando um homem diz que está sem tempo, o mundo entende que

ele é importante. Quando uma mulher diz o mesmo, o mundo questiona sua

dedicação. Essa diferença invisível é uma das maiores barreiras no ambiente

da comunicação e dos negócios.


Autoconfiança não é arrogância


Há uma ideia perigosa de que mulheres seguras de si são “difíceis”. Por isso,

muitas de nós aprendemos a falar com diminutivos, a usar “desculpa” antes de

opinar, a suavizar conquistas com frases como “dei sorte” ou “foi por acaso”.

Mas autoestima e comunicação são inseparáveis.


Falar de si com clareza não é egocentrismo — é presença. Quando uma

mulher reconhece seu valor e comunica isso com verdade, ela não apenas se

posiciona; ela inspira outras mulheres a fazerem o mesmo.


Comunicar é também educar


Toda fala pública é uma chance de educar o olhar coletivo. E comunicar com

perspectiva de gênero significa entender que por trás de cada discurso há uma

estrutura social sendo reproduzida ou questionada. É por isso que eu acredito

que a comunicação feminina é também um gesto político: ela desafia os

modelos de autoridade, questiona as hierarquias e propõe novas formas de

estar no mundo.


Um novo capítulo da comunicação brasileira


Hoje, vejo uma nova geração de mulheres ocupando espaços que antes eram

impossíveis. Elas dirigem agências, produzem conteúdos potentes, orientam

marcas e constroem narrativas de impacto. São mulheres técnicas, sensíveis,

racionais e emocionais ao mesmo tempo — e que transformam vulnerabilidade

em linguagem.


A comunicação feita por mulheres é menos sobre dominar e mais sobre

conectar. É sobre escutar com empatia, traduzir com sensibilidade e entregar

com propósito. E quando isso acontece, o discurso deixa de ser apenas

ferramenta e se torna ponte.


Afinal, comunicar é e sempre será um ato de amor.

E, para muitas de nós, também um ato de resistência.






Karoline Kantovick é jornalista há 15 anos, natural de Santa Catarina e residente em
São Paulo. Possui duas pós-graduações em Marketing e um mestrado em
Comunicação. Especialista em Branding e Assessoria de Imprensa




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