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Reforma Tributária: O que muda na prática para as empresas brasileiras

 Ela já foi promessa, pauta adiada, plano de governo e agora é realidade. Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 132 e o avanço da regulamentação iniciada em 2025 (Lei Complementar 214/25), a Reforma Tributária entra, de fato, na rotina das empresas brasileiras. E não há mais tempo para esperar.

Para o setor produtivo, o impacto será direto. A substituição de tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por dois novos impostos, o CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal), altera não apenas a carga, mas principalmente a lógica da apuração e do recolhimento. O modelo atual, marcado por cumulatividade, insegurança jurídica e disputas fiscais, dá lugar a um sistema com foco em simplificação, crédito financeiro amplo e destino como critério de arrecadação.

Mas o caminho até a transição completa, prevista para 2033, exige preparo técnico, revisão de processos e visão estratégica. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em abril de 2025, 76% das empresas ainda não iniciaram um plano estruturado de adaptação à Reforma. Mais que isso: 52% afirmam não entender, com clareza, os efeitos que as mudanças trarão para seus setores.

Para Marcos Koenigkan, Presidente do Mercado & Opinião, o risco maior não está no que vai mudar, mas em ignorar que a mudança já começou. "Essa reforma muda a forma de pensar o tributo no Brasil. Quem ainda não começou a se preparar vai perder competitividade. O empresariado precisa sair da inércia e assumir o protagonismo no debate. A conta não será a mesma para todos e só vai pesar mais para quem continuar operando no escuro”, pontua.

Empresas de médio e grande porte, com operações interestaduais ou regimes especiais, estão entre as que mais sentirão a transição. As discussões sobre o regime de crédito, as alíquotas médias e o papel das obrigações acessórias ainda estão em construção, o que aumenta a urgência de acompanhar o processo de perto. Segundo a PwC Brasil, a estimativa é de que o custo de conformidade tributária possa cair até 40% nos próximos anos para empresas que se adaptarem corretamente ao novo modelo, o que reforça o papel da tecnologia e da governança fiscal nesse processo.

Para Paulo Motta, sócio de Marcos Koenigkan nos eventos do Mercado & Opinião em São Paulo, essa reforma está muito além de uma simples adaptação. "Não é uma mudança apenas de lei. É uma mudança de cultura contábil e jurídica nas empresas. Esse momento exige troca entre líderes, alinhamento de práticas e um olhar coletivo sobre o que realmente funciona. Quem está na trincheira precisa estar na mesa de discussão”, declara.

Evento temático

É nesse espírito que, no dia 30 de junho, em São Paulo, um grupo seleto de empresários brasileiros se reúne para um jantar estratégico promovido pelo Mercado & Opinião. O tema? Reforma Tributária na prática. Nada de teoria, projeções vagas ou interpretações genéricas. A proposta é ir direto ao ponto: o que fazer agora, como minimizar riscos e quais as boas práticas já em curso entre as grandes empresas.



A conversa será conduzida por três nomes com peso no tema:

 

* Armando Monteiro Neto – Ex-ministro e especialista em indústria e economia

* Gilberto Batista – Presidente da Controltech

* Lucas Ribeiro – CEO do The R.O.I.T Group, referência em tecnologia tributária e compliance

Para Marcos Koenigkan, encontros assim são essenciais. “A escuta qualificada entre pares e a experiência de quem já está se movimentando podem mudar o jogo. Não é sobre palestras, é sobre estratégia compartilhada”.

Mais do que um simples evento, o jantar se apresenta como uma chance estratégica de antecipar tendências, ouvir quem já está em movimento e tomar decisões com base em experiências reais e alinhadas ao cenário atual. “Sente-se à mesa com quem está moldando o futuro dos negócios no Brasil”, conclui Koenigkan.

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